Comecei a viver há pouco tempo…

Em meus documentos consta que nasci há 22 anos. Se perguntar à minha mãe, ela se lembra bem da madrugada do dia 19/20 de abril de 1996 que ela passou no hospital já com a bolsa estourada aguardando atendimento médico até o dia amanhecer. De fato, tenho 22 anos de existência. Mas comecei a viver mesmo há muito pouco tempo.

Não sinto saudades da infância. Pode isso? Ser um adulto que gosta de ser adulto, sem ficar nostálgico quando se lembra de quando não era? Foi uma boa fase. Passou, e não tenho “vontade de voltar neste tempo”. Depois a adolescência foi uma fase tanto quanto turbulenta. Eu não sabia quem eu era, não me encaixava no padrão adolescente comum. Não frequentava muitas festas, tinha um estilo de estudante nerd e com espinhas, gostava de estudar. Acho que passei uns sete anos (dos meus 11 aos 18) esperando pelo que seria o grande momento da minha vida: o ingresso na faculdade de medicina. Aí sim, tudo iria mudar e minha vida seria melhor.

Três meses após fazer 18 anos fui aprovada no vestibular. E uns meses depois, já cursando as matérias insossas do primeiro período que não passam a impressão de serem relacionadas à medicina, já fazia mil e um planos para quando minha vida realmente ficaria legal: após a formatura.

Assim fui existindo. Esperando algum momento impactante, que sempre se encontrava no futuro, para começar a viver de verdade. Entretanto, o relógio não perdoa e não para. E a impaciência perante a espera sem fim pelo começo da minha própria vida provocou sede por aventura. Tomei grandes decisões. Machuquei umas pessoas no caminho. Mas não dava para esperar mais. Eu precisava me fazer feliz.

Neste processo de auto-conhecimento e guinada, fui percebendo que a coisa mais importante da vida é o amor. Amar o que você faz, amar a família, amar quem está ao nosso lado e ser amado de volta na mesma intensidade. Amar os próprios hobbies. Amar a si mesmo e a pessoa em que a gente se transforma com o tempo. Logo, isso significa tornar-se uma pessoa melhor.

Comecei a viver há pouco tempo. Parei de esperar pelo amanhã e passei a curtir o hoje. Acordo com alegria para viver o dia, e não porque amanhã é sábado, ou porque as férias estão chegando, ou porque a formatura se aproxima. Esta mudança de perspectiva valoriza a preciosidade de todos os instantes de maneira não seletiva. Faz a vida como um todo valer à pena ser vivida. Não enxergo o passado como tempo perdido. E já que não se pode viver para sempre… há urgência em viver e não apenas existir.

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Pensando… na imensidão do mundo e na pequenez do tempo da vida!

 

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“Você Deve Ser Muito Inteligente”

Em uma manhã atípica, na qual tive a oportunidade de evoluir leitos do CTI e não da enfermaria(perfil de paciente um pouco diferente, novas oportunidades de aprender com o exame físico), enquanto examino um simpático paciente, eis que ele me surpreende com um comentário:

– Que lindo seu jaleco!!! Branquinho… bem passado! Dá para ver que você é cuidadosa. Que limpeza!

Sorri. Não esperava este comentário. Eu estava de fato usando meu jaleco mais novinho. Havia passado cuidadosamente todos os meus jalecos limpos no dia anterior. Pendurado todos no cabide exceto o de levar para o hospital, que inseri dobrado no porta-jaleco dentro da mochila. E que havia sido lavado após molho com Vanish no fim de semana. Ok, pode ser que eu seja mesmo cuidadosa. Agradeci a ele, sorridente, e prossegui com o exame.

Ser estagiária relativamente muito jovem no hospital não é fácil. Às vezes o ar de juventude passa pouca credibilidade, pois associa-se que temos pouca experiência. Mas, definitivamente, não foi esta a impressão que este paciente teve de mim.

Já havia feito a ectoscopia, inspeção, ausculta, anotado a pressão arterial e a frequência cardíaca que o monitor fornecia, iniciava agora a palpação do abdome.

– Você tem cara de bebê. Quantos anos você tem?

Isso não foi inesperado, estou relativamente acostumada com este tipo de curiosidade. Ainda sorrindo, respondi “Tenho 22”.

Palpação simultânea dos pulsos radiais. Palpáveis, cheios, simétricos.

Membros inferiores sem edema. Pulsos pediosos palpáveis.

“Nossa… que legal! Você deve ser muito inteligente”.

Sorri um pouco tímida, meio sem palavras, anotando as últimas coisas que precisava para depois passar a limpo no prontuário.

“Muito obrigada! Qualquer coisa que o senhor precisar pode me chamar! Mais tarde eu volto.”

Visto jaleco branco todos os dias, sempre uso modelos básicos e sem detalhes ou enfeites. Só com meu nome bordado e o curso. E hoje veio este paciente simpático e alegrou meu dia, de forma que eu me senti trajando jaleco branco… e renda!

 

f4bb9d5d-7d16-4683-ae48-fa5eaac9cb94-001Fotinha tirada na sala de estudos… soltei o cabelo só para fazer a foto mesmo, no estágio é regra usá-lo preso o tempo todo.

5 Coisas que Acontecem (só comigo?) no Internato – com gifs –

5 Coisas que Acontecem (só comigo?) no Internato – com gifs –

Olá pessoal!!!

Estou na minha terceira semana de internato e por enquanto o meu estágio está sendo na cardiologia. Tem sido uma experiência muito diferente dos quatro anos de aulas teóricas na faculdade, visto que agora minha rotina é totalmente vinculada ao hospital e eu tenho contato direto com pacientes e tarefas a serem cumpridas diariamente por lá.

E nessas três semanas já aconteceu cada coisa… a seguir, cinco coisas que acontecem no internato (será que é só comigo?).

1- Angina de Remórcio

Na ala da enfermaria de cardiologia, uns 70% dos pacientes estão num quadro de pós infarto. Eu já vi paciente de 28 anos infartado (e magro, ok?). Isso começa a ser perturbador de certa forma quando paro para pensar nos meus hábitos alimentares. E hoje, conversando com as minhas amigas, eu disse que existe a angina estável, a angina instável, a angina de Prinzmetal e a angina de remórcio (descrita por VARGAS, Carolina como dor precordial psicogênica sentida pelo interno após ingerir chocolate durante o estágio de cardiologia).

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2- Andar o hospital inteiro procurando um raio X que não veio

Hoje o raio-X do meu paciente não estava com o prontuário. Eu desci 5 andares para procurá-lo no primeiro andar, e lá constava que o raio-X tinha subido e tinha uma assinatura de quem pegou o raio-x. Lá em cima, de volta ao quinto andar, o raio-x não estava em lugar algum e ninguém conhecia a funcionária que tecnicamente pegou o raio-x. Cheguei a procurar o raio-x no leito, em outras alas, no CTI, até que por fim o raio-x foi considerado perdido mesmo. Foi parar em um andar errado e agora era impossível de rastrear. Só quem estava perto viu como ficou a minha cara após minha busca incessante…

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3- “Cadê a alta?”

Somos autorizados a fazer o relatório de alta dos pacientes e depois a médica lê e vê se precisa acrescentar algo. Estava eu feliz e radiante porque tinha feito um ótimo relatório e esperava com isso poupar tempo e talvez conseguir ser liberada do hospital um pouco mais cedo. Acontece que ao invés de salvar a alta na pasta que pode ser acessada em todos os computadores do hospital, eu salvei no computador que eu fiz. Assim, a médica revisou a alta de todo mundo primeiro e deixou a minha por último, porque ela teria que mudar de computador por causa disso.

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4- Facebook Friends

Um paciente pediu meu facebook esses dias. Foi muito inesperado. Eu gentilmente disse que não podia passar.

5- I’M SCARED ALL THE TIME

Ser interna não é fácil. Confiam em nós muitas tarefas que não podem dar errado. Fazemos prescrições, pedimos e interpretamos exames, examinamos os pacientes e com base na nossa avaliação, as condutas serão definidas pelos médicos. Lidamos com pessoas reais, pacientes que há poucos dias estavam levando as suas vidas normalmente e de repente foram parar lá. Muitas vezes encaminhados de outras cidades, longe de casa, ansiosos para ir embora… e ao mesmo tempo não podemos dar alta se não tivermos certeza que eles estão em condições de alta, o que demanda mais exames, avaliações, mais tempo.
Tempo… aliás, é isso que fazemos. Alteramos o tempo. A qualidade do tratamento que oferecemos tem impacto direto na sua eficácia e potencial para aumentar os anos de vida das pessoas. É um trabalho em equipe, nós somos apenas formiguinhas fazendo algumas tarefas, mas a responsabilidade é muito grande e temos que ter atenção O TEMPO TODO.

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Sabe, isso me dá um frio na barriga danado… mas acho que esta insegurança também é o que me leva a ter força de vontade para estudar e melhorar a minha aptidão médica diariamente. Lidar com vidas não é fácil… mas é absolutamente incrível.

Sinto que estou exatamente onde eu deveria estar. ❤

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Fotinha de hoje de manhã… eu, minhas olheiras e meu sorriso espontâneo!

O Olhar dos Pacientes

Dizem que é impossível se lembrar de todos os pacientes que atendemos na vida.

A cada semana eu visito vários leitos no hospital e entro em contato com a história de vários pacientes. Uns a gente mal conhece e já dá tchau, porque eles recebem alta rápido. Outros, a gente evolui o prontuário deles por dias e dias, examinando e acompanhando o caso até que eles finalmente podem voltar para casa.

Eles me ensinam muito. Estou na segunda semana de internato, no momento estou passando pela cardiologia, e já auscultei sopro, ronco, já aprendi sobre várias cirurgias que não conhecia, manejo de medicamentos no pós-operatório de acordo com cada peculiaridade dos casos… Como futuros médicos, recebemos treinamento para nos tornarmos bons observadores e investigadores dos pacientes. E assim, usar nossa perspicácia para ajudá-los.

Mas talvez os pacientes que eu entrei em contato até agora não saibam que além de observar se eles estão corados/hidratados/anictéricos/acianóticos/eupneicos/com bom aspecto da ferida operatória/etc, eu estou sempre observando o olhar deles.

Alguns pacientes têm um olhar distante. Como se a mente deles estivesse longe, bem longe dali. E entremeado neste olhar distante há por vezes um mar de saudade. Pode ser que ao mirar um ponto fixo do quarto compartilhado com outros leitos, eles pensem na casa, nos filhos, em um par de netos brincando no tapete da sala… uma cadeira de balanço com o jornal do dia, o aconchego da própria cama e o sabor do próprio café… especulo mas não sei nada de fato. Só sinto que o coração deles está apertado.

Alguns têm um olhar assustado. Estranham o clima do hospital, temem a própria doença e a morte. Outros têm um olhar tranquilo, sereno, muitas vezes típico de quem já adquiriu a sabedoria do passar dos anos e deixou de ver o relógio como inimigo. Tem também o olhar de alegria, de quem ficou feliz porque ocorreu tudo bem na cirurgia ou no tratamento em geral… O olhar da gratidão, de quem ficou satisfeito com os cuidados que recebeu e nos olha com certo carinho.

Ah… mas o olhar mais marcante de todos que eu já vi foi o de um paciente hoje. Um senhorzinho simpático, que já passou da faixa dos 70 anos e cujos olhos marejaram quando anunciamos sua alta, após semanas de internação… ele sorriu, e comemorou, e a alegria dele foi tão grande que extravasou os olhos. Eu senti a emoção dele e foi impossível não me emocionar com a sinceridade daquele momento.

Ele fez com que eu me sentisse profundamente feliz e realizada. E o olhar dele me ensinou mais do que qualquer exame físico poderia.

Um Texto Sobre Morte Assistida

Morte assistida é a morte com auxílio médico, geralmente pela ingestão de barbitúricos, quando o paciente deseja encerrar a própria vida. É uma prática proibida no Brasil mas legalizada em outros locais do mundo como Suíça e alguns estados dos Estados Unidos.

Nos EUA, tem direito à morte assistida pacientes com doenças terminais, com expectativa de vida de menos de seis meses, e que desejam encerrar o sofrimento com a morte. Já na Suiça, a pessoa não necessariamente precisa ser um paciente terminal, como foi o caso do cientista David Goodall (104 anos) que saiu da Austrália para encerrar a própria vida com auxílio médico no país.

A legislação brasileira não permite eutanásia nem suicídio assistido, e os argumentos que impedem a legalização afirmam que isso poderia se tornar um incentivo à morte ao invés da prática de cuidados paliativos, coagindo o paciente a morrer.

É difícil aceitar o suicídio assistido porque somos treinados para combater a morte. Na faculdade de medicina aprendemos o que fazer se o paciente parar de respirar, ou se o coração parar de bater, como estabilizar um paciente grave até conduzi-lo ao atendimento hospitalar… somos treinados para não deixar a morte acontecer. Talvez por isso seja tão complicado aceitar o desejo do outro de morrer.

Talvez seja difícil aceitar que alguém esteja em um sofrimento tão grande que a morte deixe de ser temida por ele.  Porque para mim, uma estudante de medicina com 22 anos, a morte é bastante assustadora. Mas impedir alguém de ter uma morte digna, sem sofrimento, também não me parece uma boa opção.

E você leitor, o que pensa sobre suicídio assistido?

Contratura Capsular: Conheça a Principal Complicação das Próteses de Silicone

Contratura Capsular: Conheça a Principal Complicação das Próteses de Silicone

A mamoplastia de aumento, popularmente conhecida como “colocação de prótese de silicone nos seios”, é o procedimento mais realizado no Brasil atualmente no âmbito da cirurgia plástica. Mamas grandes são culturalmente associadas à beleza, à sensualidade… e na busca por este “corpo sexy” cerca de 16% das mulheres sofrem com um resultado estético ruim devido à principal complicação da cirurgia: a contratura capsular.

Após a colocação da prótese nosso sistema imunológico reage ao corpo estranho ali colocado, formando uma espécie de cápsula ao redor dela. Embora geralmente esta cápsula tenha caráter benigno, isolando o corpo estranho do organismo, pode ocorrer fibrose intensa levando à contração desta cápsula. Isso deforma o formato da mama e prejudica a estética, ocorrendo rigidez, tensão e às vezes dor.  Avalia-se o grau de contratura capsular através da classificação de Baker, com graus de I a IV:

  • Grau I: a mama apresenta consistência semelhante a de uma mama não operada;
  • Grau II: contratura mínima – a mama encontra-se um pouco mais endurecida, quando comparada à mama normal, sendo a prótese palpável, porém não visível;
  • Grau III: contratura moderada – a mama encontra-se mais endurecida, a prótese pode ser facilmente palpada e sua distorção visível;
  • Grau IV: contratura grave – a mama encontra-se bem endurecida, com importante distorção de sua anatomia, sendo, ainda, dolorosa e fria.

Os graus III e IV de Baker apresentam indicação de tratamento cirúrgico, com substituição da prótese.

 

23-02-10-fig01e02 editadoMamas apresentando contratura capsular grau IV de Baker. Observe a anatomia da mama deformada, com formatos irregulares.

As principais teorias que explicam a ocorrência desta complicação afirmam que pode ser em virtude de processo infeccioso, inflamatório ou autoimune. Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento de contratura capsular, como:

– A marca da prótese;

– A presença de infecção subjacente;

– Gravidez;

– Ocorrência de hematoma tardio;

– Já ter recebido radioterapia.

Visto que a presença de infecção aumenta as chances de contratura capsular e que sabidamente a região mamária com maior concentração de ductos tem maior concentração bacteriana, a abordagem axilar apresenta menor risco de contração que as abordagens infra-mamária ou areolar.

Apesar das possíveis profilaxias, o risco de ter contração capsular após fazer uma mamoplastia de aumento ainda existe. E é importante que a mulher considere esta possibilidade antes de optar por fazer o procedimento.

Eu entendo que a mamoplastia de aumento ajuda muitas mulheres a melhorar a autoestima. Mas antes de querer fazê-la, vale a pena responder a seguinte pergunta: suas mamas naturais pequenas lhe incomodam tanto assim para você correr esse e outros riscos?

Referências Bibliográficas:

https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/72256/2/29174.pdf

http://www.rbcp.org.br/details/591/prevencao-e-tratamento-da-contratura-capsular-apos-implantacao-de-protese-mamaria

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-51752012000200021

Entenda por que os médicos declaram morte cerebral

Olá pessoal!

É difícil compreender quando se é leigo como os médicos sabem que uma pessoa está com morte encefálica, o que torna o assunto bastante intrigante. O objetivo deste texto é explicar o passo a passo do protocolo de morte encefálica da maneira menos complicada possível.

A morte cerebral é declarada quando há uma lesão sabidamente irreversível no encéfalo (parte superior do sistema nervoso central). E para constatar que de fato há esta lesão irreversível e que o paciente portanto sofreu morte cerebral, há um protocolo a seguir rigorosamente. O protocolo só é aberto quando o paciente apresentar as seguintes condições:

  • Pontuação 3 na escala Glasgow, o que significa ausência de resposta verbal, motora e de abertura ocular.
  • Ausência de movimentos respiratórios voluntários, portanto o paciente apresenta total entrega à ventilação mecânica.
  • Ausência de condições confundidoras para coma (o paciente não deve estar sedado nem sob uso de bloqueadores neuromusculares, não pode estar hipotérmico nem com distúrbios metabólicos graves).

E também é necessário ter uma Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética comprovando lesão encefálica que justifique o exame clínico encontrado. Após preenchidos esses critérios, é então aberto o protocolo, que consiste em: 2 exames clínicos, um teste de apneia e um exame complementar comprobatório.

Os dois exames clínicos são feitos com um intervalo de 6h entre eles (este intervalo de tempo é diferente se o paciente tiver menos de dois anos de idade). Pelo menos um desses exames deve ser realizado por um médico neurologista ou neurocirurgião. Nesses exames clínicos serão testados os nervos cranianos do paciente, e para comprovar morte encefálica espera-se ausência de resposta. Reflexos infra-medulares podem ocorrer, o que pode parecer perturbador, mas é importante compreender que esses reflexos não afastam o diagnóstico de morte encefálica. Exemplo: ereção peniana, arrepios, e sinal de Lázaro.

 

Segue-se então com o teste de apneia (para comprovar que o paciente não tem mais capacidade de respirar sem aparelhos) e com o exame complementar. Só após fazer tudo isso é que se declara morte cerebral.

É importante explicar para a família de um paciente que sofreu morte encefálica o que o quadro significa e o passo a passo do protocolo, para esclarecer que este diagnóstico não se trata de uma afirmação arbitrária. O protocolo, seguido rigorosamente, comprova a morte e infelizmente não há mais nada a ser feito…

Espero que vocês tenham compreendido o que é morte cerebral. Todo paciente com morte cerebral e consentimento familiar é um potencial doador de órgãos. E esta é uma bela maneira de dar significado à vida, até na hora da morte.

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O texto foi baseado no protocolo de morte encefálica do estado do Paraná.
http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/ap_protocolo_morte16FINAL.pdf

 

Observação: o protocolo do estado de Minas Gerais foi recentemente atualizado, e agora não é necessário que um neuro faça um dos exames clínicos. Qualquer médico capacitado poderá fazer ambos os exames. A medida visa aumentar o número de doadores, visto que muitos potenciais doadores eram descartados simplesmente pela ausência de neuro para realizar a avaliação.